sábado, novembro 12, 2016

O RETORNO

A última vez que escrevi por aqui foi em março de 2016, ou seja, lá no começo do ano. E por que eu parei de escrever?
Quando atravessamos um período da nossa vida em que quase nada faz sentido, precisamos de alguma maneira encontrar um caminho de volta. Escrever para mim sempre representou isso, desde pequena, quando eu anotava minhas ideias em um caderno pequeno.
No entanto essas ideias e pensamentos permaneciam apenas comigo.
Com o advento da internet e consequentemente dos blogs, eu passei a frequentar e dividir tudo isso num universo virtual.

Inicialmente o blog abordava coisas muito comuns, como dicas de maquiagem, moda, tendências, e um universo de abordagens que nem lembro mais, além de um ou outro texto meu. Mas com o passar do tempo, comecei a me dedicar quase que exclusivamente a escrita de crônicas mesmo. E o blog tornou-se um diário virtual.
Quando eu descobri minha doença, fiquei muito mal, e meus textos misturaram revolta, indignação e angústia. Quando eu parei para ler tudo o que eu havia escrito aqui desde 2010, vi que precisava parar. Afinal, quem era eu? Não me reconheci em alguns textos totalmente diferentes do que eu costumo escrever. Claro que as pessoas mudam, mas eu estava quase que copiando o estilo de algumas blogueiras simplesmente porque não sabia mais me comunicar, eu só sabia falar de dor, dor, dor. Não é que eu não tenha uma escrita informal, mas não sou do tipo que termina um texto mandando beijos, se é que vocês me entendem.

Eu poderia deletar esses textos, mas resolvi deixar aqui como uma lembrança do que não sou, e do que não preciso ser. Nunca escrevi para ganhar views, likes, coisas desse tipo. Não preciso angariar seguidores e ser "amada". Eu me amo, e isso basta.
Aprendi a conviver com a minha doença, lutei, me reergui, voltei a estudar.
Não tirei um período sabático.
Os textos não mentem, sou eu escrevendo, mas travestida de um personagem, e quem já leu o que escrevo com certeza percebe isso.

Minha vida não precisa ser um livro aberto.
Aprendi isso sozinha.
Óbvio que minha escrita vai seguir sendo um pouco ácida e por vezes sensível, como sempre foi, mas haverá coisas que seguirão sendo apenas minhas.
Melhor assim.

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